O Forte 
 
   Forte Coimbra tem como data oficial de sua fundação o dia de 13 de setembro de 1775. Obviamente as decisões de sua fundação como local, data, tipo de construção e arquitetura tiveram suas origens e objetivos muito antes. Para isso, devemos dar uma pequena repassada na história do Brasil daquela época. Tudo começou com o avanço para além das terras delimitadas pelo meridiano do Tratado de Tordesilhas. Após a liberação de Portugal do domínio Espanhol, este começou a exigir o cumprimento das demarcações do tratado. Apesar disso, as terras da região do atual Mato Grosso do Sul e Paraguai se tornaram bem conhecidas dos bandeirantes paulistas e jesuítas de Assunção. Após as demarcações do Tratado de Madri , houve a necessidade da demarcação de terras pela coroa portuguesa e seria muito conveniente a construção de algum ponto demarcatório naquela região para consolidação daquela região ao sul. Foi daí que nasceu a idéia de se construir um presídio bem ao sul, próximo aos castelhanos. Após a chegada do primeiro governador de Mato Grosso em 1751 e várias mudanças no governo, planos de consolidação, de defesa e expansão, o quarto capitão geral da capitania Luís de Albuquerque de Mello e Pereira Cáceres (territórios incorporados ) , manda fundar uma fortificação rio Paraguai abaixo para impedir o avanço castelhano e atuação dos índios paiguás. Designa o capitão Mathias Ribeiro da Costa para o local chamado Fecho dos Morros, bem abaixo da posição atual do forte, próximo a cidade atual de Porto Murtinho, 292 Km abaixo (20 dias de canoa de Cuiabá) . Mathias parte de Cuiabá em 22 de julho de 1975, com uma expedição de 245 homens distribuídos em 15 canoas e divididos em três grupamentos, guiados por um índio idoso. Em 13 de setembro de 1775, fundou, no estreito de São Francisco Xavier, na margem direita do Rio Paraguai, o Presídio de Nova Coimbra  Durante 22 anos ali apenas ficou o presídio. Em agosto de 1797, assume o comando do presídio aquele que foi a figura mais importante de toda essa história, o tenente coronel de infantaria e engenheiro geógrafo Ricardo Franco de Almeida Serra, homem com um extenso currículos de serviços prestados à coroa portuguesa e ao Brasil, tendo eito desde mapeamentos de extensas e regiões a obras de engenharia. A obra do forte inicia-se, com poucos recursos e sem gente especializada, a 3 de novembro de 1797. A obra terminou muito tempo depois mas, mesmo apenas com algumas muralhas já prontas, o forte chegou a receber ataques e saiu-se vitorioso. Algumas dessas passagens forma tratadas na página sobre fatos históricos Apesar de Mathias Ribeiro ter escolhido o local errado - o que inclusive lhe custou seu posto - alguns fatos mostram que estrategicamente o local era perfeito: 1) A distância era boa para um apoio militar, já que Fecho-dos-Morros era muito mais abaixo e isso implicaria também em risco de cruzar com os hostis índios cavaleiros guaicurus; 2) tinha uma maior distância rio acima de guarnições castelhanas; 3) tinha melhores condições militares para impedir avanços rio acima. O domínio pelos espanhóis de outras guarnições militares, a resistência do forte a ataques por eles, veio mostrar o acerto em sua localização. O próprio Luís de Albuquerque, que substituiu Mathias Ribeiro após seu erro, não determinou a sua correção porque, após mandar verificar o local, achou-o desfavorável mesmo. Aliás, durante muito tempo esse local foi, por 5 vezes, palco de fracassadas tentativas de ocupação militar. Conta a lenda que por esse local passou São Tomé, em direção ao Peru, e por isso esse local ficou sendo considerado sagrado e de paz, para ser desfrutado para lazer, sendo por isso impedido de ocupação militar. Conta-se ainda que Mathias teria sido iluminado pela santa milagrosa e padroeira do forte, Nossa Senhora do Carmo. É a imagem dela que aparece na foto do portão (ao lado - Coimbra40.jpg) para o rio e no entardecer do forte (abaixo - Coimbra34.jpg). Uma das datas mais importantes de Forte Coimbra é a de 16 de julho, quando comemora-se festivamente o dia da padroeira. A padroeira e Ricardo Franco são, sem dúvida, os nomes mais importantes de Forte Coimbra. Deve-se fazer aqui um adendo a figura do General Raul Silveira de Mello. Nascido a 8 de fevereiro de 1882, em Cruz Alta - RS, foi o maior historiador e biógrafo de Forte Coimbra, tendo, além de escrito várias obras ligadas - como a obra  marcante A História de Forte Coimbra - 4 volumes - ajudou a localizar os restos mortais de Ricardo Franco, que falecera em 21 de janeiro de 1809, ás 14:00 horas, no forte. Seus restos permanecem no forte até hoje repousados sobre um monumento (abaixo - Coimbra24.jpg). Na história da manutenção dos territórios brasileiros e em sua batalhas também existem outros nomes importantes que podem ser vistos nos trabalhos originais de referência bibliográfica desta página mas podemos aqui lembrar (ver também fatos históricos) dos nomes de D. Ludovina e as esposas dos soldados e os índios guaicurus, com destaque especial para a ação do índio Nixinica.